Tuesday, August 30, 2011

TriChamusca


Um dos mantras mais famosos entre a comunidade Ironman é "o maior adversário que vais encontrar és tu próprio". Talvez por isso, não me incomode muito o facto de não ter equipa e de treinar sempre sozinho. Sou triatleta há 2 anos e este tem sido o meu dia-a-dia.

Este fim-de-semana tudo mudou. Numa iniciativa particular e única, lá fui treinar juntamente com 3 dezenas de triatletas de todos os pontos do país e de todos os níveis atléticos. E se treinar sozinho até pode dar alguma força psicológica, não há nada que supere esta experiência. Falar com outros atletas, ouvir as suas histórias, aprender com quem sabe mais, é sem dúvida muito inspirador.

Venha de lá esse TriChamusca2012.

Wednesday, August 3, 2011

Triatletas

No ano passado falei com um treinador de natação que me disse "gosto mais de treinar triatletas que nadadores". Intrigado, perguntei porquê? Ele respondeu-me "porque são mais determinados". Na altura, não levei muito a sério. Mas hoje, esta frase voltou a tocar na minha cabeça.

Estamos em Agosto e aqui para os meus lados todas as piscinas fecham para limpeza e reparação técnica. Ainda assim, corro a lista de piscinas com telefonemas para tentar arranjar maneira de cumprir o meu treino. Levanto-me mais cedo, meto-me no carro e lá vou eu para o outro lado da cidade. Chego lá e encontro o cartaz colado na porta ainda fechada "novo horário: das 9h-19h". Ligo para outra que me diz que preciso primeiro de marcar um teste com o professor, outra diz que tenho que ser sócio e pagar a inscrição. Mesmo assim não desisto. Só me resta a hora de almoço para dar umas braçadas. É apertado de tempo entre deslocações, equipar, tomar banho e almoçar (porque triatleta precisa de se alimentar) mas um treino de 45 minutos é melhor que nada. Quando finalmente entro na água, sinto o meu ombro direito a arder. É o coloro a entranhar-se nas queimaduras da minha queda de bike no treino de domingo passado. O relógio está a andar e tenho 15x100m para fazer.

Talvez fosse isto que o tal treinador queria dizer com "determinados".


Monday, July 25, 2011

Regresso




O Triatlo de Abrantes ficou marcado pelo regresso na super Vanessa, no dia em que eu também regressei às provas. Mas vamos despachar o meu regresso para irmos ao que interessa.

O meu: depois de um mês sem correr, devido à lesão contraída na prova de Peniche no pé esquerdo, lá voltei ao Triatlos. Uma paragem devido a lesão que aproveitei para juntar a umas férias em família, onde apenas pedalei e nadei para fazer “manutenção”. Depois, lá comecei a correr aos poucos e bem devagarinho. Os treinos, só começaram na segunda-feira anterior a Abrantes e por isso mesmo, não fui para a prova com grandes expectativas. Apenas aproveitar o ambiente e fazer o melhor possível. Senti-me claramente fora de forma e na corrida ainda decidi ir com calma para evitar recaídas no dito pé. Surpresa das surpresas, tirei 2 minutos ao meu tempo final do ano passado.

O da Vanessa: estava eu a preparar as minhas coisas para efectuar o check-in, quando oiço uma voz dizer “vem aí a Vanessa, pode abrir a cancela?”. Na altura, não prestei atenção, mas instantes depois reparei que quem estava a falar era o sr. Venceslau Fernandes que segurava um quadro de uma bike. Instantes depois, Vanessa Fernandes chegava ao recinto da prova e durante o dia perceberam-se claramente dois momentos distintos: o antes e o depois da prova. Antes, todos olhavam de longe e comentavam baixinho “come será que ela está?”, “achas que está em forma?”, “será que está recuperada?”, “cá para mim ainda ganha isto!”, enquanto a própria Vanessa timidamente se preparava sempre de olhos no chão para evitar demasiadas conversas. Aqueles, mais próximos da atleta lá foram dar um beijinho, mas passou quase despercebida até à linha de partida. Quando a prova começou, tudo mudou. Das margens do rio e das estradas, o público não se cansou de gritar “força Vanessa”, “vai Vanessa”, “acredita Vanessa”. E ela foi mesmo para a vitória na prova. No fim, todos queriam dar um beijinho, deixar uma palavra de incentivo e tirar uma foto. Aquilo que num dia qualquer teria sido uma enorme chatice, foi uma grande alegria que a sua cara não conseguia esconder por ter sido tão bem recebida pela família do triatlo. Força Vanessa!

Tuesday, June 28, 2011

Half Season




O planeado encontrou-se à esquina com o acaso. No início da época quando o eu-treinador, planeou a época do eu-atleta, incluiu 4 semanas de recuperação. Tratavam-se de 4 semanas de férias com a família a aproveitar os feriados e mesmo a calhar para descansar do meu primeiro triatlo longo que depois acabaram por ser dois (Lisboa e Aveiro). Até aqui tudo certo.

Mas 2 dias depois da prova de Aveiro, uma dor na superfície do pé esquerdo não antecipava nada de bom. Confesso que na altura, não levei a dita dor muito a sério. Para quem nunca tinha passado da distância sprint, fazer dois triatlos longos num mês, seria de esperar que doesse tudo e não apenas o pé.

Só que ainda antes da paragem planeada, havia o triatlo de Peniche para fazer. Devo afirmar que correu muito bem, mesmo com o cansaço acumulado. Mas horas depois de cruzar a meta, a dor voltou e com mais força. E para minha surpresa, o pé estava mesmo inchado.

Marquei o ortopedista, fiz gelo e parti para férias. As más notícias eram que a consulta só para 4 semanas depois e o inchaço não parecia desaparecer. As boas notícias era que não tinha dores em cima da bicicleta.

Forçado pelo acaso, tive que parar de correr e motivado pelo planeado, mantive as minhas 4 semanas de descanso. Um descanso activo, claro está, que consistia em treinar sem plano de treinos, sem repetições, sem duração definida nem horários. Fazer apenas aquilo que me apetecia. Destas 4 semanas, aqui ficam os treinos que me souberam melhor.

Natação na baía da Praia da Vitória, na Ilha Terceira.

Natação ao pôr do sol no rio Tejo em Abrantes.

Subida à Torre a partir de Manteigas com passagem no deslumbrante vale glaciar do Zêzere.

Recuperado, amanhã volto aos treinos.

Monday, May 30, 2011

S. Jacinto antes e depois


Antes

Antes do Triatlo Longo de S. Jacinto, sentia-me completamente sonolento, fraco, sem energia e muito pouco confiante em relação ao objectivo para o dia: melhorar em relação a Lisboa.

Há vários dias que me sentia assim. Cheguei a ir à farmácia medir a tensão arterial de tão fraco que andava. Não tendo o resultado mostrado nada de anormal, comecei seriamente a considerar que o treino efectuado entre o Triatlo Longo de Lisboa e o de S. Jacinto não tinha sido o mais apropriado. Talvez tenha exigido de mais e agora era vez de pagar a factura do cansaço acumulado.

Para ajudar à festa: esqueci-me de levar o meu Isostar e só dei por isso no hotel, na véspera à noite, o adaptador do C02 avariou, as barras energéticas que costumo utilizar estavam esgotadas e tive que comprar outras, não encontrei nenhum restaurante que me servisse um prato de massa e acordei a meio da noite (na véspera da prova) com um desarranjo no estômago.

Depois

Depois de cruzar a linha de meta, não podia estar mais contente. Apesar de ter apanhado muito mais confusão de braços e pernas do que em Lisboa, saí da água com um melhor tempo.

A transição foi rápida e o início do ciclismo foi feito a bom ritmo com vento a favor. O que custava era o regresso. Entretanto, lá chegou a hora de comer a minha primeira barra energética e após duas dentadas já estava com problemas intestinais. Passei para o plano B e levei a prova alimentado a geles e água.

Este segmento foi feito numa bela estrada com a ria de um lado cheia de pescadores e a mata do outro com os assadores a carvão que chegava a dar inveja. A única nota negativa desta prova, vai para a quantidade de carros que por lá andava no meio dos ciclistas.

Nos primeiros metros de corrida, deu-se o momento chave do meu dia. Comecei a sentir um atleta aproximar-se com uma passada mais viva que a minha. Era o Pedro Quintela que levava já uma volta de avanço. No momento da ultrapassagem, pensei “o ideal para mim, era conseguir ir com ele”, mas uma outra voz ecoou na minha cabeça “aqui não há roda para seguires e se não fores ao teu ritmo vais rebentar”. Mas enquanto ponderava a decisão a tomar, tentei seguir alguns metros só para ver como me sentia. Passaram 20, 50, 100, 500, uma volta e eu continuava confortável com aquela passada. No fim da segunda volta, ele perguntou-me “em que volta vamos?” e eu respondi “eu estou a terminar a segunda e tu a terceira” e ele olhou para trás e disse “então bora lá manter este ritmo para ver se eu ganho os veteranos”. E assim foi, o Pedro Quintela venceu os Veteranos e eu ganhei 8 minutos em relação a Lisboa.

Monday, May 2, 2011

Missão Cumprida em 5 horas 1 minuto e 5375 Likes


Dizem que uma viagem de duas semanas dura aproximadamente dois meses. Começa um mês antes com os preparativos e só termina umas semanas depois com as fotografias e as histórias para contar. Assim se passou comigo no Triatlo Longo de Lisboa.

Quando decidi inscrever-me nesta prova, aconselharam-me cautela, uma vez que saltei directamente da distancia Sprint para a distância Longa sem passar pela Olímpica.

E como se este desafio pessoal não fosse suficiente, decidi torná-lo maior e fazê-lo para angariar fundos para a Operação Nariz Vermelho. Montei o projecto e fui apresentá-lo à Compal que de imediato disse “sim, queremos participar”. Três semanas antes da prova lancei no Facebook a página “Os meus 113km pelo Nariz Vermelho”. Por cada Like/Gosto angariado, a Compal doava 1 EUR. Eu só tinha que chegar ao fim. Em apenas 48 horas já tínhamos atingido os 2000 e a responsabilidade começava a aumentar.

Às 8 horas da manhã do dia 30 de Abril, as minhas verdadeiras preocupações eram tudo aquilo que me fugia do controlo: os murros e pontapés perdidos na natação, a chuva que podia provocar quedas e as possíveis avarias na bicicleta. Desse lá por onde desse, eu tinha que chegar ao fim.

Surpreendentemente, a natação correu muito bem e sem problemas. 35 minutos depois da buzina da partida, saí da água em direcção à bicicleta. Começaram a cair as primeira pingas e os primeiras atletas. Muito concentrado, lá fui pedalando, hidratando e alimentado o corpo. Sem quedas, sem furos ou avarias lá cheguei de novo à transição. Na minha cabeça ecoava a frase “Já está!”. Só faltava correr que é o que mais gosto de fazer, o que podia correr mal? Mas à segunda volta da corrida, senti uma quebra como nunca tinha sentido. Não era cansaço, não me doíam as pernas, não sentia o coração a saltar-me da boca... apenas não conseguia manter o ritmo. Instintivamente decidi desatar a comer e beber tudo o que apanhava e surpresa das surpresa, voltei à minha passada nas duas últimas voltas.

Terminei o meu primeiro triatlo longo com a sensação de dever cumprido. À minha espera na linha de meta estavam dois Drs. Palhaços da Operação Nariz Vermelho que fizeram questão de estarem presentes para assinalar o momento: 5horas 1 minuto e 5375 Likes.

Tuesday, April 19, 2011

Prova de Preparação






Quando planeei esta época, estabeleci dois grandes objectivos: Half Ironman de Lisboa e Maratona do Porto. Quando se ouviu em Coimbra o sinal de partida para mais um triatlo Sprint, estava muito claro na minha cabeça, qual o meu propósito naquele dia. Claro que queremos sempre fazer o melhor possível, claro que queremos melhorar os nossos tempos, claro que queremos evoluir, mas a tão pouco tempo do primeiro objectivo da época optei por tomar algumas precauções. Quando me inscrevi em Coimbra, foi para ganhar ritmo, para testar todo o equipamento que vou utilizar no Half de Lisboa, incluindo fato e bike (novos a estrear) e para fazer mais um treino de natação em grupo, uma vez que nos meus treinos nado sempre sozinho. E para além disto tinha que me manter longe de problemas que pudessem pôr em causa as últimas 2 semanas de preparação para a prova. Refiro-me a quedas na bicicleta, o que me levou a optar por rodar sempre fora dos grupos, e a entorses nos pés que me levaram a ter algum cuidado na corrida, por esta ser toda em piso de terra batida. Neste sentido, mais que no resultado, o Triatlo de Coimbra foi excelente para mim. Provavelmente, mesmo que não tomasse todas estas precauções, tinha feito o mesmo tempo. Para recordação, fica o tempo final: 1h16m (101º da geral)