Wednesday, February 13, 2013

Race Across The Sky 2009

Ontem vi o filme "Race Across The Sky 2009". Para quem não conhece, é o filme sobre uma das mais famosas e duras provas de BTT: a Leadville Trail 1000. São mil milhas de prova disputadas sempre a mais de 10 mil pés de altitude e com subidas a ultrapassarem os 12 mil pés. 

A particularidade desta prova de 2009 é que contou com a participação de Lance Armstrong que, não só venceu, como deu uma lição de bike ao vencedor das últimas 6 edições. 

Se conseguíssemos ver este filme, completamente alheios à história do doping, seria uma filme fantástico e muito inspirador. Mas quando o vemos subir aquelas montanhas a um ritmo alucinante, fica sempre no ar a pergunta: o que será que ele tomou ao peque-almoço?

Mesmo assim, são cerca de 70 minutos muito bem passados. 

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=MUol4meP9H4





Friday, February 8, 2013

Empurrão

Motivação encadernada em capa dura acabadinha de chegar.


Tuesday, February 5, 2013

12 Semanas

Lesão. Gelo. Ortopedista. Raio-x. Ressonância magnética. Fisioterapeuta. EPI. Palmilhas. Fisioterapia. Raio laser. Ultra sons. Massagem. Alongamentos. Jogging 20 minutos. 

Foi assim que passei as últimas semanas da minha vida desportiva. Nada de treinos, nada de pré-temporada, nada de correr ou pedalar. Apenas natação e com muito cuidado, pois não podia colocar o pé na parede, durante as viragens, e não podia correr o risco de levar uma palmada no pé de outro nadador. Foram 12 semanas difíceis para quem já tem o vício do exercício físico e para quem, todos os anos, define novos objectivos. 

Numa altura em que a tribo já está a competir e a trabalhar duro para atingir o primeiro pico de forma da época, eu fico de rastos com uma corridinha.

Posso dizer que a brincadeira da maratona de Nova Iorque me saiu bastante cara. Prolongar o treino durante mais cinco semanas resultou em duas fracturas de esforço, no segundo e no terceiro metatarsos. 

Moral da história: o treino é importante, mas não podemos subestimar o descanso. 

Agora, resta-me trabalhar para saltar do fundo do pelotão.

Friday, January 18, 2013

Substituição

Ontem assisti em directo à primeira parte da entrevista de Lance Armstrong. É verdade que ele apenas confirmou aquilo que já todos sabiam, mesmo aqueles que, como eu, queriam acreditar no contrário. Mas ouvir da boca dele a confirmação de todas as acusações foi um duro golpe para o mundo do desporto, para o ciclismo e principalmente para todos os seus fãs.

Eram, 3h30 da manhã, quando terminou a primeira parte da entrevista. Levantei-me do sofá, retirei a minha pulseira amarela do braço, lavei os dentes e fui deitar-me.

Hoje, vou ver a segunda parte, mas o topo da minha lista de desportistas de endurance já não é ocupada por este senhor. O primeiro lugar agora é ocupado por Craig Alexander. Por favor, não me desiludas.

Tuesday, November 27, 2012

Fim de época

Quando grande parte dos atletas já prepara a próxima época, eu dou por encerrada a minha. É verdade que por esta altura devia estar a fazer os últimos preparativos para a Maratona de Lisboa, mas há uma semana que já não corro por causa de uma tendinite nos extensores do pé esquerdo. Hoje, quando fazia uma ligeira caminhada, tive que parar para aligeirar as dores. Desta forma, correr 42km daqui a uma semana e meia está fora de questão.

Vou aproveitar esta paragem forçada para recuperar forças, tratar da lesão e começar também eu a preparação para a época 2013 que se projecta cheia de desafios e para a qual me confesso aqui, muito entusiasmado.

Monday, November 12, 2012

A MAIS DURA MARATONA FOI A QUE NÃO FIZ

-->
A minha ING NYC Marathon 2012 começou em Dezembro de 2010. Sim, eu acredito que uma prova destas começa no dia que tomamos a decisão de a fazer e não com o tiro de partida. Eu decidi que queria correr a Maratona de Nova Iorque ainda em 2010, quando me inscrevi na lotaria da prova. Diz o regulamento que após 3 anos consecutivos sem sucesso, a organização garante uma entrada directa no quarto ano. Pois eu, fui um dos sortudos que ganhou a entrada logo na primeira tentativa.

Claro que neste tipo de empreitadas acontecem sempre imprevistos. Felizmente, o meu primeiro imprevisto (desportivamente falando) foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Pouco tempo depois de ter ganho o lugar tive que tomar a decisão de cancelar a minha inscrição: o meu filho estava a caminho. O seu nascimento estava previsto para poucos dias antes da prova e como tal, não ia correr e deixar a mulher com o nosso filho recém-nascido nos braços. Foi então com enorme felicidade que optei por fazer a Maratona de Lisboa nesse ano.

Quando chegou Dezembro de 2011, a organização da prova atribuiu, como de costume, a oportunidade de garantir a entrada nesse ano aos atletas que tinham cancelado as inscrições do ano anterior. Foi o que fiz.  E assim começava um ano inspirador. Para além da minha primeira época ao serviço do Peniche AC (o melhor clube do mundo) havia também a perspectiva de correr a famosa prova que termina no Central Park. 

A quatro meses da maratona, iniciei aquele, que eu considero hoje, o plano de treino mais rigoroso a que me submeti. Com o passar das semanas comecei a sentir melhorias significativas na minha corrida e aos poucos e poucos nasceu em mim um sentimento confiança muito grande. O plano de treino foi desenhado para 3h08m-3:12m, mas já acreditava que a maratona em sub-3 horas era possível.  Bater as 3 horas não é nada do outro mundo para grande parte dos atletas, mas para mim significava bater o meu melhor tempo em 17 minutos.

Mas eis que veio o Sandy e a partir daqui já todos sabem. O que não sabem é que na véspera de partir para NY o meu voo foi cancelado. No dia do voo, levantei-me com um feeling que não sei explicar e a primeira coisa que fiz foi ligar o computador para receber a notícia que afinal havia voo, mas com algumas horas de atraso. Fiz a mala à pressa e com adrenalina em alta. Durante o voo, tive o prazer de conhecer e trocar umas palavras com a simpática e tímida Dulce Félix.

Quando aterrei, recebi duas notícias: uma a dizer que o mayor de NY tinha dado uma conferência de imprensa a dizer que a prova se ia realizar e outra a dizer que a casa que eu tinha alugado estava sem luz e que não podia ia para lá. Meia dúzia de telefonemas e lá arranjei um teto para dormir com uma lâmpada, ligação à Internet e água fria. Na altura, lembro-me que pensei “não me posso queixar: estou em NY, tenho onde dormir e estou prestes a correr a Maratona”.

Era sexta à tarde, estava eu na famosa 5º avenida quando toca o telefone. Era a minha mãe que sem me deixar falar, dispara “Então filho, a prova foi cancelada?”. Em vez de ir para casa, fui para o pub.
Podia ter tido cãibras, um dor de barriga, torcido um pé, levado com o homem da marreta ou outra coisa qualquer. Agora, nem me deixarem partir é que não. Não posso negar que a desilusão foi grande, mas hoje reconheço que foi a decisão certa. Talvez, mal comunicada, talvez fora de tempo, mas a decisão certa e corajosa.

Para fazer o gosto ao pé, fiz 20km no Central Park na companhia dos restantes atletas portugueses, excepto da Dulce Félix que de imediato recebeu o treino enviado pela sua treinadora para fazer naquele dia, já a pensar no objectivo seguinte (e por falar nisso, ela venceu este domingo o corta-mato da Amora).

Durante essa corrida, discutíamos o tema e ponderávamos o que fazer a seguir. A mim, não me resta outra alternativa se não a Maratona de Lisboa, dia 09 de Dezembro. Hoje, confesso-me desmotivado, cansado e desinspirado. A voz sábia da mina mulher diz “porque não fazes apenas a meia-maratona?”. A minha voz teimosa responde “porque desistir não é opção, mesmo desmotivado, cansado e desinspirado”.

Monday, October 15, 2012

Sábado em cheio

Que sábado bem passado. Levantei-me bem cedo, mais ou menos à hora que me vou levantar no dia 4 de Novembro. Tomei o pequeno-almoço que vou tomar nesse dia e preparei a mesma nutrição que vou levar. Vesti o equipamento e à mesma hora da prova, saí de casa para o último longão antes da Maratona de Nova Iorque.  Pela frente tinha 17km a ritmo mais lento que o ritmo de prova, seguido de 11km a ritmo de prova e 7km mais rápido que o ritmo de prova. No total foram duas horas e cinquenta e um minutos bem passadas na solitária companhia dos meus pensamentos.

Depois de almoço e de um ligeiro passeio em família, estava na altura de ligar a tv e de me deitar no sofá a assistir e a sonhar com a prova do Hawaii. Este dia que já acompanho há 3 anos, é sempre inspirador e rico em aprendizagem. Mas o melhor estava reservado para o fim. Em prova estavam 5 atletas portugueses: Pedro Gomes, Sérgio Marques, Vanessa Pereira, Rodrigo Baltazar e Márcio Neves. E com o passar do tempo, comecei a assistir a uma subida gradual na classificação do Márcio. Ele terminou a natação em 29º mas no fim do ciclismo já estava em 5º. Com o início da corrida, em menos de nada, já estava em 3º. "Ai, ai, ai... tu queres ver", mas devo aqui confessar que pensei "3º lugar é óptimo, mas chegar a 1º é impossível". Qual impossível qual carapuça. A palavra "impossível" não existe no vocabulário de Márcio Neves. E foi mesmo com o título de Campeão Mundial do AG 25-29 que terminou a sua primeira participação no Hawaii.

Mesmo, tendo passado a maior parte do dia deitado no sofá, este foi um grande sábado desportivo para mim.